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Nemusad

Núcleo de Estudos das Mediações e Usos Sociais dos Saberes e Informações em Ambientes Digitais (Nemusad – UFMG)

Movimento ambientalista na internet: cartografia de controvérsias

A doutoranda e pesquisadora do Nemusad, Débora Pereira, apresentou na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável – Rio+20 alguns resultados da pesquisa “As redes ambientais na internet e a gestão da natureza”, especificamente o mapa dos sites que circulam informação sobre a preservação do planeta em espaços virtuais.

A cartografia de controvérsias é uma metodologia de pesquisa desenvolvida por Bruno Latour e o MediaLab da Sciences Po que ensaia a resposta de uma questão super atual: como medir, em tempos de desconfiança da Web 2.0, a influência das novas redes e dispositivos digitais em discussões democráticas e políticas, como a preservação do meio ambiente? Essa metodologia leva em consideração não somente as fontes ‘oficiais’ ou ‘científicas’ em torno de um determinado conhecimento, mas também o ‘saber profano’, disseminado na blogosfera e em redes sociais. Especialmente para essa pesquisa de doutorado, foram utilizados os programas Navicrawler e Gephi para tagguear (categorizar) e rastrear as relações entre os atores selecionados.

Ao todo, foram visitados mais de três mil sites e categorizados 402, quanto à sua natureza institucional, utilização de recursos informacionais, idioma e política predominante em relação ao que a autora chama de ‘gestão da natureza’. Para encontrar esses sites, foram utilizados diferentes mecanismo de busca (google, goduckgo, yahoo ) para monitorar termos como ‘aquecimento global’, ‘proteção da natureza’, “desenvolvimento sustentável”, “rio+20”, “cúpula dos povos”, entre outros, desde agosto de 2011 a junho de 2012. A orientação é da professora Maria Aparecida Moura.

Abaixo, a apresentação dos mapas, melhor visualizado em tela cheia.

Movimento web-ambientalista: a controvérsia entre a economia verde e a ecologia social on Prezi

Nos resultados preliminares, é possível visualizar, em relação à gestão da natureza, três grandes clusters emaranhados, em ordem de tamanho: economia verde, ecologia social e ecologia profunda. Estes direcionamentos políticos coincidem com os idiomas, enquanto os sites em inglês são mais ‘economia verde’, que se preocupam com tecnologias para energia renovável e mercado de carbono, os em português e espanhol tem uma ideologia mais voltada para a ecologia social, ou seja, se preocupam mais com assuntos relacionados ao etnodesenvolvimento, mitigação de populações indígenas afetadas por grandes construções e políticas eco-populares.

Entre os sites classificados como ‘economia verde’, é possível visualizar a centralidade dos sites do evento ‘Rio+20’, das Nações Unidas e da UNEP. Já na ecologia social, o Greenpeace se destaca como liderança estrangeira em interação com atores brasileiros, como o movimento Xingu Vivo e o Fórum da BR163. Entre os sites principais da Ecologia profunda, destacamos o coletivo Mongabay e o blog de Lou Gold, este último desempenha um papel importante como conector entre os clusters da ‘ecologia profunda’ e da ‘ecologia social’.

Outros resultados ainda estão em fase de conclusão e serão apresentados em breve. A defesa da tese está prevista para fevereiro de 2013. Débora Pereira faz, de agosto de 2011 a setembro de 2012, estágio sanduiche em Paris, no Centre Edgar Morin e no Institut Télécom, que também possui um curso de cartografia de controvérsias, chamado Ética das TICs.

Links relacionados:

– Site do pesquisador Tommaso Venturini.

– Site das cartografias realizadas pelos alunos dos cursos ligados ao projeto MACOSPOL.

– Tutorial para a elaboração de cartografias de controvérsias.

– Site Dispositivo de Visibilidade, da professora Fernanda Bruno da UFRJ.

– Site de André Lemos para a disciplina Cartografia de Controvérsias, UFBA

 

Abaixo, vídeo de Tommaso Venturini e Paul Girard sobre o trabalho do MediaLab:

Posted in Organização da informação em ambientes colaborativos Tagged André Lemos, Bruno Latour, cartografia de controvérsias, Fernanda Bruno, Forum da BR163, Lou Gold, Maria Aparecida Moura, Nações Unidas, Rio+20, Sciences-po, Tommaso Venturini, Unep, Xingu Vivo

Evento: Intercom sudeste

O curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Ouro Preto, criado em 2008 vai sediar a Intercom Sudeste 2012. O congresso será realizado em Ouro Preto, de 28 a 30 de junho, em consonância com o momento de preparação para a Copa do Mundo 2014 e Jogos Olímpicos 2016, ambos no Brasil. O tema central escolhido para o evento é Esportes na Idade Mídia – diversão, informação e educação.

O XVII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste – Intercom Sudeste – permite que alunos de todo o país apresentem seus trabalhos, obtenham e transmitam conhecimento sobre as diversas áreas do jornalismo e recebam premiações e reconhecimento entre seus pares.

“É uma deferência que a Intercom nos concede, de fazer um evento em uma universidade na qual curso está em fase de crescimento. Há uma confiança na equipe de docentes e na organização. A expectativa é de que o congresso seja um dos maiores da região Sudeste”, relata a vice-diretora do Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas (ICSA) da UFOP, docente do curso de Jornalismo e membro da Intercom, professora Juçara Brittes. Leia mais.

  • Intercom divulga datas para inscrição e submissão de trabalhos.
  • Abertas as inscrições para o Intercom Sudeste.
Posted in Eventos externos Tagged 2012, Intercom Sudeste, Ouro Preto, Ufop

Romances e literatura a um clique no Google Maps

Escritores deixam o formato impresso e apostam em narrativas interativas e georeferenciadas na Internet

por Ruleandson do Carmo

Livro-mapa: The 21 steps

Quem recorre à Internet para lhe auxiliar em seu dia a dia, provavelmente, já digitou algum endereço no Google Maps – serviço de mapas e rotas do Google – para descobrir como chegar ao destino desejado. Durante esse uso comum do serviço pode ser até que haja quem tenha buscado pelo trajeto mais rápido até a livraria preferida, para pegar aquele novo livro pelo qual tanto esperou. Até aqui, nenhuma novidade. O que é novo mesmo (ou pelo menos não tão conhecido assim) é a possibilidade de ler obras literárias diretamente do Google Maps. Alguns escritores tem apostado em narrativas interativas e georeferenciadas ao contar histórias. A premissa básica da iniciativa é bastante simples: os pontos marcados no mapa, gerado pelo serviço do Google, correspondem a capítulos, se compararmos aos livros em formato impresso, nos quais partes de uma história são contadas, enquanto o leitor navega pelo livro, o mapa. É como se a mente de quem lê ganhasse um GPS (sistema de posicionamento global) em versão literária para ajudá-lo a viajar junto com os personagens da obra, sabendo exatamente onde cada episódio narrado ocorreu.

O livro-mapa “The 21 Steps” (“Os 21 degraus”, em tradução livre), lançado no Google Maps em março de 2008, pelo escritor britânico Charles Cumming, parece ser a primeira história que utilizou o site de mapas como suporte. Acostumado a escrever histórias de suspense, Cumming participou do projeto “We tell stories” (“Nós contamos histórias”, em tradução livre) da editora londrina Penguin Books, que reuniu seis escritores para cumprir a missão de recontar histórias clássicas de ficção em formato digital, sendo que a Cumming foi dada a difícil tarefa de recontar uma das principais obras de suspense de todos os tempos, “Os 39 degraus” de John Buchan. O livro de Buchan conta a história do aventureiro Richard Hannay que se torna suspeito de um crime cometido no apartamento dele e viaja da Inglaterra à Escócia, tentando desvendar o assassinato e provar sua inocência. A historia, imortalizada no cinema pela versão cinematográfica de Alfred Hitchcock em 1935, inspirou Cumming a escrever uma versão digital tendo o Google Maps como suporte, com o objetivo de explorar as paisagens de cada local pelo qual o personagem principal passa durante a história, permitindo ao leitor ver imagens de satélite das localidades.

História de amor no e com o Google Maps


Visualizar Porra, BH ou 10 lugares pra te conhecer antes de morrer em um mapa maior

Cerca de dois anos após o lançamento de “The 21 Steps”, também no mês de março, mas no ano de 2010, o jornalista Rodrigo Ortega publicou “Porra, BH ou 10 lugares pra te conhecer antes de morrer” utilizando o Google Maps como suporte à história, cujo protagonista é Adolfo, um garoto que precisa realizar duas despedidas em um só dia: despedir-se da cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, e de sua namorada Júlia. O “porra” no título do romance segue a onda virtual, iniciada na Internet durante o verão brasileiro de 2010, da criação de espaços para reclamações bem-humoradas na plataforma para microblogs multimídias Tumblr, como, por exemplo, o “Porra, São Pedro!”, com queixas irônicas às alterações climáticas no país, e o “Porra Kassab!”, com críticas ao prefeito de São Paulo, dentre outros.

Segundo Ortega, que antes de publicar sua história não conhecia o livro digital de Cumming, a escolha do Google Maps para abrigar o romance se deu por inspiração, após ler o mapa criado no citado site pela jornalista Isabel Colucci, publicado no serviço em fevereiro deste ano sob o título “Livros e Lugares”. No mapa de Isabel, o leitor pode indicar obras literárias que tenham como cenário alguma cidade real no mundo, associando a localização geográfica ao título e descrição das obras.


Visualizar Grande Sertão Veredas em um mapa maior

Diante de discussões e opiniões divididas acerca do futuro do livro impresso, o uso digital de serviços como o Google Maps para narrar histórias parece indicar que as ferramentas online podem despertar o interesse pela leitura em uma geração recente, que talvez possa ter dificuldades em ler um livro sem poder clicar em algum canto da página. Até o momento, em pouco mais de dois meses, “Livros e Lugares” contabiliza cerca 18 mil visualizações, enquanto “Porra, BH” soma aproximadamente sete mil em um mês de publicação.

Além da inspiração no trabalho de Isabel, Ortega, que estudou jornalismo na Universidade federal de Minas Gerais, em BH e hoje mora no Rio de Janeiro, capital, diz ter feito uma escolha emocional ao optar pelo Google Maps para contar a história de “Porra, BH”, um dos vários contos que costuma escrever. “O Google Maps é sempre lembrado como uma ferramenta útil, prática, mas também traz uma ligação emocional. Você pode ver os lugares da cidade, lembrar e imaginar coisas dali. Isso tinha a ver com a história que eu queria contar, de um personagem que estava se despedindo de uma pessoa e de Belo Horizonte. O Maps é a única ferramenta que te permite escrever em cima de qualquer lugar da cidade, fazer uma placa nos lugares em que você viveu ou imaginou. Além disso, é fácil organizar e acessar o conteúdo ali. Dava pra ter escrito em texto corrido, mas não seria tão legal fazer”, conta o jornalista e escritor.

Em um trecho do conto, que se passa em um primeiro de agosto, como homenagem à canção “Primeiro de Agosto” da banda belorizontina Transmissor, as palavras de Ortega falam sobre um coração que pode até marcar em um mapa os lugares por onde passou, mas que no fundo busca se localizar, se reencontrar em meio à saudade:

“Júlia conversa comigo num dia chuvoso e escuro, mas o rosto é um branco. Daí eu vi que ela está saindo de mim, mas não quero deixá-la espalhada por aí. Dona Jandira, minha mãe, me ensinou: ‘antes de ir embora, Augusto, devolve as coisas onde você encontrou’. Por isso aproveito a insônia pra devolver a Júlia pro mundo, pra BH. Resolvi marcar neste mapa as lembranças”.

Se a gama de serviços oferecidos pelo gigante da Internet Google (ainda) não inclui indicar aonde se encontra o amor ideal para o usuário, ao se utilizar o famoso sistema de buscas, há quem acredite que procurar por amor no mundo físico e/ou no mundo virtual são tarefas cada vez mais próximas. “Às vezes penso, e foi o caso de quando escrevi a história, que não são coisas diferentes: a gente está sempre procurando amor, mesmo quando fazemos as coisas mais banais como pesquisar no Google ou procurar endereços num mapa. Você sempre tem um objetivo ou uma motivação maior do que simplesmente buscar informações ou usar uma nova ferramenta. Mas, claro, encontrar o amor é muito mais difícil, porque é a tarefa final”, filosofa o autor de “Porra, BH”. O endereço preciso do amor não foi localizado, mas o endereço eletrônico das obras digitais citadas nesta reportagem, você encontra logo abaixo.

Posted in literatura, Na mídia Tagged amor, literatura

Governo publica decreto que regulamenta Lei da Informação

E a UNESCO analisa, no video abaixo, as mudanças e desafios da nova Lei Geral de Acesso à Informação do Brasil.

http://youtu.be/ADf5FcV_KSQ
Links relacionados:
  • Site do Governo – Acesso à informação
  • Portal da Transparência do Governo Federal
  • Folha.com
  • Veja.com
Posted in Na mídia

Interações internacionais

Os integrantes do NEMUSAD que desenvolvem estudos na temática Organização do conhecimento, participaram de um encontro com o Prof. visitante Dagobert Soergel em que apresentaram suas pesquisas de mestrado e doutorado. Os temas mais investigados nos estudos do grupo são Ambientes colaborativos, Análise de Redes Sociais, Análise do Discurso, Semiótica, Social Tagging Systems e Semântica.

Em visita à UFMG no período de 09 a 23 de maio,  o Prof. emérito da Universidade de Buffalo -USA,  Dagobert Soergel, ministrou o curso ” Building meaningful ontologies and other Knowledge Organization Systems” e proferiu a palestra “Illuminating Chaos: Using Semantics to Harness the Web”, tais atividades, envolveram estudantes e demais interessados da comunidade da Escola de Ciência da Informação e da comunidade universitária em geral.

Posted in Organização da informação em ambientes colaborativos, Produção Intelectual
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